4 meses em Portugal e a “lua de mel” com o país

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Família Di Biasi em Portugal

Hoje temos mais uma matéria com o depoimento da Denise Di Biasi, que escreve o perfil Estamos em Portugal e compartilha conosco suas impressões como imigrante de quando completou 4 meses em Portugal.

A Denise também já escreveu pra gente o texto Estamos em Portugal – Planejamento, onde conta como foi sua saída e da família do Brasil rumo à Braga/Portugal, e o texto Vida de Imigrante em tempo de Pandemia, relatando sua jornada emocionante em tempo de Covid.

Lembrando: eles já são imigrantes no país há quase 2 anos e muita coisa mudou depois disto. Acompanhem os próximos posts para saber como vem sendo a vida passada a “lua de mel”.

No texto de hoje, ela nos conta como foram os primeiros 4 meses da família em terras lusitanas! Acompanhem!

Consultoria migratória

Impressões da Denise depois de 4 meses em Portugal

Olá!

Quatro meses e meio em terras Portuguesas, passou voando! Muitas coisas aconteceram nesse período, foram meses de muito aprendizado, união, humildade e gratidão.

Aprendemos a apreciar pequenas coisas que antes passavam completamente despercebidas; agora ficamos deslumbrados com o cair das folhas, a mudança das cores das árvores, a beleza de um prédio antigo (vamos combinar, aqui temos vários!), o caminhar despreocupado pela rua, gostamos até do “jeito direto de ser” do povo português.

Aos poucos entramos na cultura local. A Laura já começa a falar meio cantado e me corrige quando falo alguma expressão errada. Nunca sei a diferença entre “giro” e “fixe”. Aqui não se fala “oi”, mas sim “olá”. Atender uma chamada no telefone é uma coisa estranha, ninguém fala “alô!”, aqui é “tôu!”. Perguntei para uma senhora onde era a “sala de banho” e a Laura logo me corrigiu: “sala, não! É casa de banho, mamãe!”.

Adaptações dos filhos

Adaptação de crianças em Portugal

Na escola estamos indo muito bem, a professora da Laura a elogiou muito e vemos que se ela se destaca em português. Já tem algumas colegas, embora seja querida em sala de aula, ainda não fez amigas portuguesas. Acredito ser apenas uma questão de tempo, espero. Estou fazendo um trabalho voluntário na escola dela (oficina de artes para crianças com necessidades especiais) e também faço parte da associação de pais. Em breve, entenderei um pouco melhor sobre a realidade das escolas públicas em Portugal.

Enquanto isso, o Lucas já tem amigos bem queridos. Já tem até uma paquerinha na escola (oi!??!). Está empolgadíssimo com a possibilidade de ser um atleta federado em um dos clubes de futebol que temos aqui. Vai aos treinos três vezes na semana, sob qualquer condição climática… com muito frio ou muita chuva, lá vai ele feliz – para desespero total da mãe preocupada se o filho ficará doente.

Na escola ele está indo bem, a professora elogiou a “postura de bom aluno” dele. Até o momento tirou apenas um “satisfaz menos” – o que seria a sua única nota abaixo da média – em matemática, bem a matéria que mais gosta (e que é a mais difícil por aqui).  

E eu… Bem, estou bem. Aqui a vida é diferente sob vários aspectos: agora posso sair para almoçar sozinha com o Marcello em um dia de semana qualquer, podemos até almoçar em outra cidade. Também podemos andar de mãos dadas, ver um filme no meio da tarde, andar no shopping, ver os amigos no meio da semana…

Estão achando que é tudo festa, né?

Matrícula infantil em Portugal

Realidade financeira e adaptação

Não, não é! Agora somos empreendedores, dinheiro não cai do céu e precisamos receber em “euros” se quisermos nos manter por aqui. Junto com um casal de amigos/sócios, montamos um alojamento local (Airbnb) aqui em Braga. É só o começo de outros projetos que ainda virão, tudo no tempo certo.

Falando da parte chata, já que nem tudo são flores…

Se no Brasil eu tinha alguns “luxos”, aqui nada disso existe. Ou melhor, existe! Mas, paga-se muito caro por isso. Então, sou eu mesma quem lava os banheiros, roupas (entenda-se: coloco na máquina, aqui não existe tanque!) e afins.

Tive que descobrir como se usa uma “esfregona” e o milagre de fazer um banheiro ficar (ou parecer) limpo, sem poder jogar um balde de água com sabão e esfregar tudo bem esfregadinho.

Além de tanque, aqui os banheiros também não possuem ralo… pensa no desespero! Mas, estamos felizes assim: vivendo mais com menos.

Nem todo mundo é capaz de se adequar a essa nova realidade, isso é sério!

Parece brincadeira, parece fácil, mas não é. Conheço pessoas que retornaram ao Brasil por não agüentar o novo modo de vida. Não é todo mundo que sai de uma vida com funcionária mensalista, cozinheira, manicure na porta da sua casa e afins, e chega a um novo país onde tem que limpar, lavar, cozinhar, ver a unha por fazer e o cabelo destruído.  

Visto para aposentados em Portugal

Será que os 4 meses em Portugal estão valendo a pena?

Adaptação de criança em Portugal

Também é uma vida com saudades e cheia de vontade de estar por perto de quem mais gostamos.

Dá uma agulhada chata no coração, ainda mais quando recebo mensagem no whatsapp de uma das minhas melhores amigas, dizendo que não para de chorar e está preocupada com a saúde da filha. Daí dá uma vontade enorme de pegar o primeiro avião e abraçar, abraçar e abraçar. Dar o ombro pra chorar, chorar junto, ou simplesmente estar ao lado da pessoa.

Isso eu não tenho mais, nem sei quando terei novamente.

E com tudo isso, será que estamos felizes nestes 4 meses em Portugal?

Sim, estamos todos felizes. Perdemos por um lado, mas também ganhamos muito por outro, é o preço da nossa escolha.

Ter a sensação de estarmos fazendo o melhor para as crianças, é uma coisa inexplicável. Todo dia agradeço a oportunidade que estamos tendo. Nem por um momento, nesses quatro meses e meio, pensamos que não fizemos a escolha certa.

Temos a plena convicção que esse é o nosso caminho, as crianças estão conhecendo uma nova cultura e um novo país. Todo final de semana saímos para conhecer uma nova cidade ou fazer um programa diferente.

Isso não é qualidade de vida, é uma vida com qualidade.

Até a próxima, beijinhos!

Denise Di Biasi, mãe do Lucas, da Laura e do Caco – o cão! Administradora de empresas (ou dona de casa, se preferir!) e casada com o Marcello desde Maio/2000. Em Julho de 2018 disseram adeus para pessoas amadas, abriram mão da vida estabilizada, venderam a casa e o Marcello pediu demissão do trabalho de 16 anos. Deixaram o Brasil, e uma grande parte do coração dentro dele, para morar em Braga/Portugal.

Tire suas dúvidas sobre morar em Portugal

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